terça-feira, 10 de agosto de 2010

Confusão

Ai que droga.
Eu tenho tanta coisa para falar, tanta coisa que estou sentindo. Mas eu simplesmente não consigo escrever. Não consigo colocar em palavras o que eu estou pensando.
Eu já comecei uns quatro textos tentando montar o que estou construindo aqui dentro, mas não vai. Não vai.

Queria poder abraçar e falar "Eu te amo". Queria poder olhar e saber a resposta. Queria poder fechar os olhos e me entender. Queria poder respirar fundo e me acalmar.

Estou passando por uma das coisas mais importantes na minha vida. Uma conquista incrível, um misto de sensações, pensamentos, vontades, confusões. Estou em prantos de alegria, de medo, de coragem. Estou no meio de tudo e perdida no nada.

Eu preciso disso, preciso de outros. Um beijo. Um carinho. Uma palavra. Um momento. São coisas pequenas, passageiras, rápidas até mais, mas são sinceras. São fortes.

Acho que preciso de coisas que até eu mesma nem sei. Mas também, mesmo se soubesse não ia conseguir falar. Ia acumular-se com todos os outros sentimentos e entrar para o misto que virou isso daqui...

Fernanda S. B. Sales

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ela apareceu no meio de tanta palavra, de tanto movimento, de tanta sensação. As coisas não estavam mais as mesmas, todos os gestos eram diferentes, os sorrisos, os olhares. Os olhares pareciam durar uma eternidade e diziam absolutamente tudo que qualquer outra forma de expressão, incluindo a palavra dita, nunca poderia dizer. No meio de tantos desvios, rotas erradas, incertezas, tropeços, encontros. Ela estava lá, bem no meio deles. Eu nunca poderia encontrá-la, ninguém nunca poderia encontrá-la, mesmo todos sentindo que ela estava ali. Veio de fininho, silenciosa. Ela sempre é silenciosa até mesmo quando está ali, principalmente quando está aqui. Inclusive, quanto mais próximo ela fica, mais quieto fica o lugar. Qualquer suspiro fica um estrondo. O delicado vira brusco. O olhar é cortante. É preciso que ela lhe toque para sentí-la, caso contrário, ela lhe fará mastigá-la, degustá-la. O dominado é aquele que não a respeita, aquele que tenta fugir. E ao deixar-se dominar, ela penetra. Parece ser eterna e barulhenta.


Ela aparece no meio de tantos sabores, de tantas paisagens, de tantos sentimentos. As coisas se percebem como diferentes, tudo é outro, este é aquele, o aqui é lá. Lá parecia que nunca ia chegar, mas chegou e foi trazido por ela. Eu nunca quis encontrá-la, ninguém nunca quis realmente encontrá-la. Mas ela veio. No meio de tanta lágrima, abraço, aperto, coragem, força medo, escuro, dúvida. A despedida veio, ficou e durou. E então partiu.

 
Fernanda S. B. Sales

segunda-feira, 29 de março de 2010

Estar só

Sabe quando dá aquela vontade incondicional de ficar um tempo sozinho?
Eu particularmente adoro esses momentos.

Há mais de um ano, eu passei a me descobrir, a me conhecer, a desfrutar mais a minha própria companhia. E sabe o que eu vi? Que eu me adoro. Acho tão, tão gostoso ir ao cinema sozinha, ir almoçar sozinha, ir andar sozinha no parque. Porque esses são os momentos em que eu estou realmente me curtindo e curtindo todo o resto ao meu redor. O filme é mais intenso, a comida é mais saborosa, o parque é mais natural.

Não é sempre que me bate essas vontades. E é engraçado tentar entender o que leva uma pessoa querer ficar sozinha.
Tem muita gente que acredita que esses momentos são puro altismo, pura exclusão do mundo ou até mesmo uma fuga da realidade ou dos outros. Mas eu já penso muito diferente. Eu aprendi que eu não preciso estar sempre com alguém para estar me sentindo bem, para me divertir. Eu vi que muitas vezes a única pessoa que pode levantar o meu astral e me distrair sou eu mesma. Acho tão maravilhoso esses meus momentos de solidão escolhida. Esses momentos em que eu estou me curtindo, me amando, me adorando, me sentindo.
E cada vez que eu estou vivendo isso eu me sinto mais e mais completa e menos sozinha.

Basicamente, esse meu estar sozinha só me mostra o quanto eu não estou solitária.

E perceber isso é algo absolutamente delicioso.

Fernanda S. B. Sales

sexta-feira, 26 de março de 2010

Não perca seu tempo.

Ah não, ah não. Diz que não vai começar tudo de novo?
Eu estava indo tão bem, sério mesmo. E o pior é que eu estava até ficando mais tranquila com isso.
Que droga.
A questão é que eu adoro escrever. Muito. E eu sempre tive essa facilidade em sentar e escrever qualquer coisa. Todas as vezes que queria escrever sobre alguma coisa tudo o que eu precisava era de um lápis e um caderno e boom! O texto estava feito.
Até criei esse blog. Fiquei animada com a quantidade de coisas que eu andava escrevendo e resolvi criá-lo.
Mas toda inspiração dura pouco. Aiai.

Eis que em Janeiro tudo mudou para mim. Por algum motivo obscuro, eu simplesmente não conseguia mais escrever. Eu tinha milhões de coisas para descrever, sentimentos para entender, pensamento para por em ordem, mas simplesmente não saia nada.
E o pior de tudo...eu tinha vontade de escrever. E como tinha.

Por várias vezes, cheguei a começar um texto, mas nunca ficava bom e eu apagava tudo, rasgava ou então guardava em alguma gaveta que eu já não faço mais idéia de qual seja.

Mas aí, depois de mais ou menos dois meses nessa tortura, eu  finalmente voltei a ativa. Foi com um exercício em sala de aula (que eu particularmente adoro) que eu voltei a escrever. O mais interessante é que fomos todos colocados em uma situação absolutamente diferente das que você se coloca quando vai sentar para escrever, e não é que saiu algo até que interessante. Digamos que me emocionei (leia-se literalmente) por tudo que aquilo representava para mim.
Enfim...
a partir daquele dia, as coisas estavam voltando ao normal para mim (pelo menos a parte de escrever) e tudo se encaixou e vivi feliz para sempre.

Maaaaaaaas, a joça do ''para sempre'' vive me pregando peças.
Eis que hoje, bem em um dia em que eu estou me sentindo inspirada e com assunto para falar e coisas para contar, eu comecei a escrever e NADA, mas nada mesmo, saiu de legal. E o mais estranho, e até mesmo decepcionante, é que aconteceu tudo que acontece quando um texto bom e inspirado está por vir: eu estou ocupada com algo e do nada surge um assunto e a vontade imensa de escrever sobre aquilo. E sabe o que foi mais decepcionante ainda? É que eu realmente parei TUDO que estava fazendo para escrever e eu estava muito empolgada com isso porque o assunto era realmente muito legal.

Apaguei no mínimo umas cinco vezes (sem exagero) o começo do texto. Até que entrei me irritei e resolvi fazer isso daqui que eu me recuso de chamar de texto decente, porque não tem nada com nada e o assunto é chato demais. Mas eu realmente não queria voltar para onde eu tinha saído a muito custo, entende?

Por isso que eu paro por aqui.
Preciso deixar registrado que eu não estou mais conseguindo escrever (pelo menos algo interessante). Mas me rendo a esse 'texto' pelo menos para terminar alguma coisa que eu comecei.

Ai, deve ser o calor. Só pode ser o calor.


Fernanda S. B. Sales
(e não sei pq eu ainda assim eu assino)


ps: Pode ser a TPM. É, só pode ser a TPM.
ps2: O 'engraçado' é que o que eu tinha para contar tem a ver com a TPM. Aiai viu...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Palavras soltas

Tudo bem, eu sei que eu falei demais. Eu sei, eu juro que eu sei.

E o pior é que eu tinha decidido a não falar mais nada. Foi mesmo. Eu coloquei na minha cabeça que não ia mais dizer nada. Nenhuma realidade. Nenhum sentido. Não ia tirar da minha boca mais nenhuma palavra com um verdadeiro significado. Como ia acontecer uma conversa? Eu não sei...mas quer dizer, para que falar se eu sou a única pessoa que faz isso?

Eu vi que você pode se expor, se colocar racional e coerentemente, mas não importa, você nunca terá a resposta esperada. Só vai ter mais e mais dúvida e daí, a única certeza é a de que falou demais. Só isso. Simples assim. São palavras pequenas. Eu sei. Eu sei que são apenas palavras. Mas são palavras ditas. Ponto.

Mas dessa vez foi diferente, eu falei sabendo disso. Enquanto eu falava cada palavra, que um dia eu desejei dizer com toda a intensidade, eu sabia que elas não deveriam ser pronunciadas, mas isso não me impediu. Imagina. Em qualquer pessoa normal, inteligente e controlada saber que isso não deveria ser dito é motivo mais do que suficiente para simplesmente não dizer. Você me entende?

Acho que já falei que não sou uma pessoa muito normal, inteligente e controlada, se não, essa é a hora de deixar bem claro: eu não sou uma pessoa normal, inteligente e controlada! Eu procuro por coisas que quando eu encontro eu não quero. Eu quero coisas que quando eu tenho eu não vejo. Eu acredito em coisas que não me fazem diferença nenhuma. E vejo coisas que não existem. E o pior de tudo: eu falo o que não deve ser dito. É sério. Eu falo mesmo.

E dessa vez eu falei demais. Mesmo. Pode acreditar. Falei até coisa que eu não sabia. Vê se isso é possível. Eu fui respondendo tudo meio que na inércia. A coisa entrava e as palavras saiam. Eu ouvia e respondia. Era um interrogatório. Era algo que só eu fazia parte.

E a pergunta que mais me intriga é a se no final, eu de fato disse o que eu mais queria ter dito...

Fernanda S. B. Sales

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desejos

Naquela noite, ele simplesmente não conseguia dormir. Estava deitado na cama e ficava pensando...
Passava todas as noites na Califórnia. Sua vida era do jeito que ele esperava e tinha tudo o que queria. Mas ele sentia falta de algo.
Ele sempre fez tudo com a maior boa vontade e com boas intenções. Naquela noite ele pensou em todas as coisas que deixou para trás, tudo que decidiu por não ser e não fazer. Só que nunca esteve pronto para falar sobre isso.
Por que não pode ser eu?
Naquela noite, ele olhou para as estrelas e ficou se perguntando o que faria se ele pudesse ser daquele jeito?

Se pudesse ser assim, ele daria qualquer coisa para poder viver um único dia daquele jeito. Não sabia ao certo o que faria, mas gostaria de ter a chance de poder viver aquilo apenas por um dia.

No sonho, eles estavam correndo sem destino. Eles estavam livres.

Naquele dia, ela foi fazer o que sempre faz todos os dias. Assistia as pessoas passando e se divertia com isso. Era engraçado imaginar qual seria a vida de cada uma dessas pessoas que passavam por ela e que nunca mais tornaria a encontrá-las.
Tudo o que ela queria era poder viver um pouco desse sonho.
É pedir demais?
Ela gostaria de viver em uma casa segura. Queria ser feliz, ter uma família. Não era pedir demais. Na verdade, tudo o que ela queria era algo para se apoiar. Ela precisava muito disso. Era tudo o que ela desejava.

Se pudesse ser assim, ela daria qualquer coisa para poder viver um único dia daquele jeito. Não sabia ao certo o que faria, mas gostaria de ter a chance de poder viver aquilo apenas por um dia.


Na vida, eles estavam caindo. Eles estavam perdidos um do outro.

Fernanda S. B. Sales
(Baseado na música: Be like that - 3 Doors Down)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Perda

Ela simplesmente não sabia lidar com isso. Não era nada novo. Não era nada confuso. Mas ela simplesmente não sabia lidar com isso. Buscou informações, respostas, saídas. Não achou nada. Não teve nenhum feedback. Procurou, procurou e procurou. Mas não achava. Nada fazia ela entender. Nada fazia ela se sentir confortável de novo. Foi estranho. Ela queria ficar sozinha quando estava com as pessoas e queria estar com as pessoas quando estava sozinha. Ela não queria nada. Ela queria tudo. Ela queria qualquer coisa. Correu na direção da porta. Ela estava trancada mas nunca tinham a trancado antes. Ele se sentiu presa nas próprias paredes do pensamento. Pensamentos estes que ela fugia a qualquer custo. A fresta da janela era suficiente para ver sua sombra, sua sombra que a seguia. Mas ela estava parada. Não ia para lugar nenhum. Mas a sombra continuava lá. Uma hora ela viu que não adiantava abrir a porta, não adiantava ir para nenhum outro lugar. Ela viu que têm certas coisas que não precisam de explicação para serem reais. E são justamente essas coisas que ela não sabia lidar.

Fernanda S. B. Sales
(escrito tempos atrás)