segunda-feira, 29 de março de 2010

Estar só

Sabe quando dá aquela vontade incondicional de ficar um tempo sozinho?
Eu particularmente adoro esses momentos.

Há mais de um ano, eu passei a me descobrir, a me conhecer, a desfrutar mais a minha própria companhia. E sabe o que eu vi? Que eu me adoro. Acho tão, tão gostoso ir ao cinema sozinha, ir almoçar sozinha, ir andar sozinha no parque. Porque esses são os momentos em que eu estou realmente me curtindo e curtindo todo o resto ao meu redor. O filme é mais intenso, a comida é mais saborosa, o parque é mais natural.

Não é sempre que me bate essas vontades. E é engraçado tentar entender o que leva uma pessoa querer ficar sozinha.
Tem muita gente que acredita que esses momentos são puro altismo, pura exclusão do mundo ou até mesmo uma fuga da realidade ou dos outros. Mas eu já penso muito diferente. Eu aprendi que eu não preciso estar sempre com alguém para estar me sentindo bem, para me divertir. Eu vi que muitas vezes a única pessoa que pode levantar o meu astral e me distrair sou eu mesma. Acho tão maravilhoso esses meus momentos de solidão escolhida. Esses momentos em que eu estou me curtindo, me amando, me adorando, me sentindo.
E cada vez que eu estou vivendo isso eu me sinto mais e mais completa e menos sozinha.

Basicamente, esse meu estar sozinha só me mostra o quanto eu não estou solitária.

E perceber isso é algo absolutamente delicioso.

Fernanda S. B. Sales

sexta-feira, 26 de março de 2010

Não perca seu tempo.

Ah não, ah não. Diz que não vai começar tudo de novo?
Eu estava indo tão bem, sério mesmo. E o pior é que eu estava até ficando mais tranquila com isso.
Que droga.
A questão é que eu adoro escrever. Muito. E eu sempre tive essa facilidade em sentar e escrever qualquer coisa. Todas as vezes que queria escrever sobre alguma coisa tudo o que eu precisava era de um lápis e um caderno e boom! O texto estava feito.
Até criei esse blog. Fiquei animada com a quantidade de coisas que eu andava escrevendo e resolvi criá-lo.
Mas toda inspiração dura pouco. Aiai.

Eis que em Janeiro tudo mudou para mim. Por algum motivo obscuro, eu simplesmente não conseguia mais escrever. Eu tinha milhões de coisas para descrever, sentimentos para entender, pensamento para por em ordem, mas simplesmente não saia nada.
E o pior de tudo...eu tinha vontade de escrever. E como tinha.

Por várias vezes, cheguei a começar um texto, mas nunca ficava bom e eu apagava tudo, rasgava ou então guardava em alguma gaveta que eu já não faço mais idéia de qual seja.

Mas aí, depois de mais ou menos dois meses nessa tortura, eu  finalmente voltei a ativa. Foi com um exercício em sala de aula (que eu particularmente adoro) que eu voltei a escrever. O mais interessante é que fomos todos colocados em uma situação absolutamente diferente das que você se coloca quando vai sentar para escrever, e não é que saiu algo até que interessante. Digamos que me emocionei (leia-se literalmente) por tudo que aquilo representava para mim.
Enfim...
a partir daquele dia, as coisas estavam voltando ao normal para mim (pelo menos a parte de escrever) e tudo se encaixou e vivi feliz para sempre.

Maaaaaaaas, a joça do ''para sempre'' vive me pregando peças.
Eis que hoje, bem em um dia em que eu estou me sentindo inspirada e com assunto para falar e coisas para contar, eu comecei a escrever e NADA, mas nada mesmo, saiu de legal. E o mais estranho, e até mesmo decepcionante, é que aconteceu tudo que acontece quando um texto bom e inspirado está por vir: eu estou ocupada com algo e do nada surge um assunto e a vontade imensa de escrever sobre aquilo. E sabe o que foi mais decepcionante ainda? É que eu realmente parei TUDO que estava fazendo para escrever e eu estava muito empolgada com isso porque o assunto era realmente muito legal.

Apaguei no mínimo umas cinco vezes (sem exagero) o começo do texto. Até que entrei me irritei e resolvi fazer isso daqui que eu me recuso de chamar de texto decente, porque não tem nada com nada e o assunto é chato demais. Mas eu realmente não queria voltar para onde eu tinha saído a muito custo, entende?

Por isso que eu paro por aqui.
Preciso deixar registrado que eu não estou mais conseguindo escrever (pelo menos algo interessante). Mas me rendo a esse 'texto' pelo menos para terminar alguma coisa que eu comecei.

Ai, deve ser o calor. Só pode ser o calor.


Fernanda S. B. Sales
(e não sei pq eu ainda assim eu assino)


ps: Pode ser a TPM. É, só pode ser a TPM.
ps2: O 'engraçado' é que o que eu tinha para contar tem a ver com a TPM. Aiai viu...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Palavras soltas

Tudo bem, eu sei que eu falei demais. Eu sei, eu juro que eu sei.

E o pior é que eu tinha decidido a não falar mais nada. Foi mesmo. Eu coloquei na minha cabeça que não ia mais dizer nada. Nenhuma realidade. Nenhum sentido. Não ia tirar da minha boca mais nenhuma palavra com um verdadeiro significado. Como ia acontecer uma conversa? Eu não sei...mas quer dizer, para que falar se eu sou a única pessoa que faz isso?

Eu vi que você pode se expor, se colocar racional e coerentemente, mas não importa, você nunca terá a resposta esperada. Só vai ter mais e mais dúvida e daí, a única certeza é a de que falou demais. Só isso. Simples assim. São palavras pequenas. Eu sei. Eu sei que são apenas palavras. Mas são palavras ditas. Ponto.

Mas dessa vez foi diferente, eu falei sabendo disso. Enquanto eu falava cada palavra, que um dia eu desejei dizer com toda a intensidade, eu sabia que elas não deveriam ser pronunciadas, mas isso não me impediu. Imagina. Em qualquer pessoa normal, inteligente e controlada saber que isso não deveria ser dito é motivo mais do que suficiente para simplesmente não dizer. Você me entende?

Acho que já falei que não sou uma pessoa muito normal, inteligente e controlada, se não, essa é a hora de deixar bem claro: eu não sou uma pessoa normal, inteligente e controlada! Eu procuro por coisas que quando eu encontro eu não quero. Eu quero coisas que quando eu tenho eu não vejo. Eu acredito em coisas que não me fazem diferença nenhuma. E vejo coisas que não existem. E o pior de tudo: eu falo o que não deve ser dito. É sério. Eu falo mesmo.

E dessa vez eu falei demais. Mesmo. Pode acreditar. Falei até coisa que eu não sabia. Vê se isso é possível. Eu fui respondendo tudo meio que na inércia. A coisa entrava e as palavras saiam. Eu ouvia e respondia. Era um interrogatório. Era algo que só eu fazia parte.

E a pergunta que mais me intriga é a se no final, eu de fato disse o que eu mais queria ter dito...

Fernanda S. B. Sales