quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ela apareceu no meio de tanta palavra, de tanto movimento, de tanta sensação. As coisas não estavam mais as mesmas, todos os gestos eram diferentes, os sorrisos, os olhares. Os olhares pareciam durar uma eternidade e diziam absolutamente tudo que qualquer outra forma de expressão, incluindo a palavra dita, nunca poderia dizer. No meio de tantos desvios, rotas erradas, incertezas, tropeços, encontros. Ela estava lá, bem no meio deles. Eu nunca poderia encontrá-la, ninguém nunca poderia encontrá-la, mesmo todos sentindo que ela estava ali. Veio de fininho, silenciosa. Ela sempre é silenciosa até mesmo quando está ali, principalmente quando está aqui. Inclusive, quanto mais próximo ela fica, mais quieto fica o lugar. Qualquer suspiro fica um estrondo. O delicado vira brusco. O olhar é cortante. É preciso que ela lhe toque para sentí-la, caso contrário, ela lhe fará mastigá-la, degustá-la. O dominado é aquele que não a respeita, aquele que tenta fugir. E ao deixar-se dominar, ela penetra. Parece ser eterna e barulhenta.


Ela aparece no meio de tantos sabores, de tantas paisagens, de tantos sentimentos. As coisas se percebem como diferentes, tudo é outro, este é aquele, o aqui é lá. Lá parecia que nunca ia chegar, mas chegou e foi trazido por ela. Eu nunca quis encontrá-la, ninguém nunca quis realmente encontrá-la. Mas ela veio. No meio de tanta lágrima, abraço, aperto, coragem, força medo, escuro, dúvida. A despedida veio, ficou e durou. E então partiu.

 
Fernanda S. B. Sales