terça-feira, 29 de setembro de 2009

Misterioso balanço

Aquele sorriso. Tinha alguma coisa diferente naquele sorriso. Difícil explicar o que era. Parecia sincero, mas escondia algo ao mesmo tempo. Ele já tinha visto ela sorrindo antes, mas não desse jeito. Estava acostumado com a iluminação na hora que sorria, mas nunca tinha sentido aquele silêncio da sua ida. Por que? Lembrou-se então das tardes de domingo, casa cheia, muita gritaria, a desorganização mais organizada e aconchegante que tinha. Lembrou-se do balanço. Aquele que estava sempre indo e vindo. Um dia, ele estava vazio. Nunca tinha visto aquele balanço parado. A tarde estava ensolarada, a casa continuava cheia, mas o balanço estava parado. Ele foi ousado. Foi ao encontro do balanço. Sentou nele e deixou levar. Ele subia e descia de uma forma extremente envolvente. O sorriso palpitava e o coração aparecia. Não teve medo. Ele simplesmente não teve medo. Tentou outras vezes, outros dias, mas nunca mais sentiu a mesma coisa. Por que? Difícil explicar o porquê. Ele sabia que tinha algo de secreto no balanço que iluminava a sala. Do porquê do sorriso balançá-lo tanto assim. Era algo novo. Algo nunca visto ou sentido antes. Seu sorriso era um mistério. E ele teve medo. Ele simplesmente teve medo. Não tentou outras vezes. Não teve outros dias. Aquele sorriso, aquele misterioso sorriso, não apareceu mais. Mas seu silêncio ficou e era tudo o que ele conseguia lembrar.

Fernanda S. B. Sales

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